sábado, outubro 14, 2017

13 Anos de Cinema Notebook

Treze anos de blogue feitos no passado dia nove de Outubro. Destes treze, os últimos onze contam com pelo menos uma publicação por dia. Sem excepções. Qual diário de uma vida cinéfila - e não só. Tantas histórias por contar, tantas mais para viver. Porque já não é um hobbie ou uma distracção; é um projecto de vida. Até ao dia em que não puder mais, seja porque o coração parou, os olhos não deixam, a cabeça não permite ou as forças faltam. Porque um dia os filhos - e, quem sabe, os netos - vão conhecer melhor o pai e o avô através das infinitas palavras que por aqui ficaram presas no tempo. Venham mais trinta e sete que fazemos um jantar de comemoração dos cinquenta comigo na tenra idade dos sessenta e nove. Trazemos o Edgar do seu refinado estúdio em Nova Iorque, o Pedro de capacete viking e bengala, o Miguel ainda noivo - mas com uma mão cheia de filhos - e sem Netflix na sua box pirata e mais uns quantos que, de bem ou de mal comigo em algum momento deste longo percurso, um dia fizeram parte desta história de vida. Conto convosco. E aquele que comentar nesta entrada até ao ano 2027 não paga o jantar em 2054. Promessa de escarro - que vai ser algo completamente demódê nessa altura, onde o contacto físico será proibido por questões de saúde pública.

sexta-feira, outubro 13, 2017

Naked (2017)

Soa muito mal dizer que "Naked", o mais recente filme do realizador - que não interessa o nome pois daqui a um quarto de hora já não se lembram - que faz todas aquelas sátiras patetas dos blockbusters mais in de cada ano ("As Cinquenta Sombras de Black" ou "Inatividade Paranormal"), é a versão negra casamenteira d'O Feitiço do Tempo, clássico de Harold Ramis que está farto de levar pancada em Hollywood cada vez que alguém tenta homenagear o seu encanto conceptual? Pois bem, analogia racista ultrapassada e aproveitando o embalo para um pleonasmo, "Naked" até tem o seu encanto. Se vocês forem atrasados mentais, claro. Depois da atitude racista, outra marginalização preconceituosa. Isto hoje não está a correr bem. Correr? Sim, o Marlon Wayans corre nu nas ruas de Nova Iorque grande parte do filme. Calma miúdas, não se vê nada do que estão a pensar. O quê? Fui machista agora? Hoje não é mesmo o meu dia, desculpem-me. Até porque, verdade seja dita, todas estas discriminações foram apenas meras técnicas de auto-defesa para disfarçar o triste facto, cada vez mais fado, de eu até ter gostado desta paneleirice. Oh, merda, acabei de o fazer outra vez, não foi?

quinta-feira, outubro 12, 2017

Denzel, you have my attention.

quarta-feira, outubro 11, 2017

Pergunta que se impõe

A NOS anunciou que dentro em breve vai ter WiFi nas suas salas de cinema. Já aqui falei disso, apontando que é uma grande cagada para quem faz do cinema a sua igreja, mas adiante. O que eu quero mesmo saber é se vai continuar a existir o mítico anúncio personalizado - cujas variações existem desde do tempo em que se levavam tijolos de dois quilos e uma antena para o cinema - do "Por favor desligue o telemóvel" antes do filme começar. É que qualquer uma destas medidas anula a outra. E aposto que ainda ninguém pensou nisto a não ser o burro aqui do burgo.

terça-feira, outubro 10, 2017

Stan Lee versão Taradão

segunda-feira, outubro 09, 2017

Def Comedy Jam 25 (2017)

Especial da Netflix para comemorar o vigésimo quinto aniversário do arranque dos espectáculos revolucionários de stand-up comedy que explodiram com as audiências da HBO e a sociedade norte-americana entre 1992 e 1997, "Def Comedy Jam 25" reuniu quase todos os nomes que catapultou para o estrelato (Dave Chappelle, Martin Lawrence, Eddie Griffin, Tracy Morgan, entre tantos e tantos outros), numa cerimónia mais de tributo do que de humor, sem grande atrevimento nem sombra da comédia urbana de choque que mostrou o Bronx e o Harlem ao mundo. Valeu pelas memórias em vídeo entre agradecimentos e palmadinhas nas costas, naquela que foi a plataforma de lançamento para quase todos os comediantes negros da actualidade, que aqui tinham um palco para dizer tudo sem restrições, directamente do coração, em estado puro e cru - já que, imagine-se, nunca eram convidados para ir a nenhum talk show de horário nobre. Shiiiiitt, moddaaafuka!. E que saudades de Bernie Mac.

domingo, outubro 08, 2017

Blade Junipero 2049

sábado, outubro 07, 2017

Unshit yourself

O público português fala mal dos críticos de cinema portugueses, que aniquilam a bolas pretas quase tudo o que sai nas salas de cinema com cariz mais comercial. Por sua vez, já não é a primeira vez que vejo, nas redes sociais, críticos de cinema nacionais a apontarem o dedo a críticos de cinema internacionais por estes últimos não terem gostado, na altura da sua estreia, de um ou outro clássico que veneram. Como diria o tuga da tasca, it's like giving one in the carnation and another in the horseshoe. É por isso que eu só confio naqueles tipos das Nalgas.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Scary Marvel

quinta-feira, outubro 05, 2017

Long Shot (2017)

Especial criminal de curta duração - cerca de quarenta minutos - produzido para a Netflix, "Long Shot" mostra-nos como um latino a morar em Los Angeles safou-se de ser condenado a uma pena de morte por homicídio graças a um álibi obtido de forma completamente inesperada: sem conseguir provar que estava, efectivamente, no estádio dos LA Dodgers momentos antes do assassinato - ter os bilhetes não era suficiente para a juíza -, foi uma gravação da sitcom de Larry David "Curb Your Enthusiasm" que acabou por mostrar que Juan Catalan estava mesmo com a filha nesse jogo de beisebol. E aquele que parecia um caso perdido - além da vítima ter sido uma das testemunhas decisivas para incriminar o seu irmão semanas antes a uma pena perpétua (motivo), havia um vizinho que garantia ter visto Juan a cometer o crime - de repente transformou-se numa indemnização milionária para o arguido. Agora imaginem se o homem tem ficado em casa a ver o jogo ou se Larry David não tem filmado uma cena naquele dia e naquele corredor específico. Dá que pensar, não dá? Tudo muito bonito para um documentário. Agora a verdade: foi a triangulação de uma chamada telefónica que acabou por safar Catalan, pois a defesa alegou que o mesmo teria tido tempo para sair do estádio e cometer o crime de que era acusado. Mas isso não encaixava muito bem nesta história hollywoodesca, por isso não sejam chatos.

quarta-feira, outubro 04, 2017

António de Macedo (1931-2017)


Começou por ser arquiteto na Câmara Municipal de Lisboa mas foram as Belas Artes que cativaram o seu olhar. Fervoroso apoiante do movimento cineclubista, começou por realizar documentários antes de enveredar pela ficção. Experimentalista por natureza, visionário, autointitulava-se de anarco-mistico, foi também professor universitário e roubava tempo para se dedicar à escrita. Há já alguns anos que a sua saúde se havia fragilizando, mas manteve-se sempre ativo até ao final, refugiando-se nos seus manuscritos e recentemente, na rodagem da merecida homenagem, o documentário biográfico "Nos Interstícios da Realidade".

Falar do Cinema Novo e não falar de António de Macedo é algo inconcebível, mas há quem o tenha feito! Por algum motivo, inexplicável, o seu nome e o seu trabalho tendem em cair no esquecimento e no papel que tiveram na História do Cinema em Portugal. A revolução cinematográfica que se fazia sentir em toda a Europa do pós-guerra, nomeadamente em Inglaterra, França e Alemanha, influenciaram os percursores portugueses. Paulo Rocha, Fernando Lopes e António de Macedo, apoiados por António da Cunha Telles, são os nomes incontornáveis do cinema moderno português que ganhou vida nos anos '60. Rocha com "Os Verdes Anos", Lopes com "Belarmino" e Macedo com "Domingo à Tarde". "Domingo à Tarde", adaptado a partir do romance de Fernando Namora, com Isabel de Castro e Ruy de Carvalho nos principais papéis, mostra-nos a "realidade" de uma história condenada ao infortúnio onde os intervenientes, apesar de conscientes de toda a inevitabilidade, não conseguem deixar de seguir o seu rumo. Era o cunho que faltava ao cinema português, o abandono da teatralização em detrimento de histórias reais com personagens reais.

Seguiu-se "Sete Balas Para Selma", que em '67, pleno regime ditatorial, empoderava uma mulher, Florbela Queirós, opinativa e decidida. Esta não seria a primeira vez que iria testar a paciência dos censores e mais tarde da Igreja, com o polémico "As Horas de Maria". Em "Nojo aos Cães" assina uma declaração de revolta contra o Estado Novo. Em '73, "A Promessa" leva Macedo até Cannes com uma história quase documental de um jovem casal numa pequena comunidade piscatória que se vê a braços com um dilema moral. Belo, maravilhoso, inesquecível. O pós 25 de Abril abre uma nova fase na sua carreira, onde a Fábula/Fantasia ou Ficção Cientifica (como alguns apelidam), se apodera da sua visão. Sinde Filipe, o embaixador da maioria dos seus filmes, é muitas vezes o herói e o anti-herói da história. "O Princípio da Sabedoria" dá inicio a esta vertente que continuou nos anos '80 com "O Príncipe Com Orelhas de Burro", "Os Abismos da Meia-Noite", "Os Emissários de Khalom" e "A Maldição do Marialva", premiado no Fantasporto de '90. O visualmente e narrativamente belíssimo "Chá Forte Com Limão", tornar-se-ia incompreensivelmente no seu último trabalho de ficção. Apesar das sucessivas tentativas ao longo dos anos, nenhum outro seu guião voltou a ser alvo financiamento estatal!

Com 19 anos conheci-o tarde, mas conheci-o, no mesmo dia em que fui apresentado ao seu trabalho, num ciclo de cinema dedicado a si no extinto Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz. Que choque, bom, muito bom, cinema daquele calibre guardado a sete chaves, à espera de ser redescoberto por uma nova geração. Fábulas com tom de verdade! Já há muito que não filmava, mas o fascínio, a visão e a paixão pelo contar das historias continuavam intactos. Não o deixaram voltar a filmar. Que crime! Tive o atrevimento de pedir a sua orientação nos meus dois primeiros trabalhos. Podia ter-me dito que não, mas o professor que havia em si tornava-o num missionário. Que privilégio.

terça-feira, outubro 03, 2017

The One Where Ross Invents San Junipero

segunda-feira, outubro 02, 2017

Podia ter sido escrito por mim

"How physical and digital media should learn to stop worrying and live happily side by side. First things first: I love the variety and convenience that streaming offers. As much as I mourn the oversized cases and promotional standees of a video rental shop, there is a cold Darwinian logic to the rise of Netflix, Amazon and the rest. As well as the immediacy, I like that I can take a chance on a title I may not be familiar with without shelling out for it. I also like the idea that film loving youngsters have instant access to the kind of cinematic education that would have taken me months to acquire at their age. In short, I love streaming. I just love my DVD collection more." [LWL]

domingo, outubro 01, 2017

Tom Petty (1950-2017)