segunda-feira, junho 18, 2007

Shaun of the Dead (2004)

Shaun está nos seus trintas e enfrenta uma crise existencial. À deriva numa vida monótona, vive com o seu melhor amigo de liceu, Ed, e com Pete, outro ex-colega. Liz, a sua namorada, é uma mulher atraente, divertida e inteligente que, compreensivelmente, começa a pensar no futuro, algo que Shaun prefere ignorar intencionalmente, enquanto passa os dias a jogar Playstation 2. Indecisa em relação a Shaun, e ao quase triângulo amoroso que Ed completa, Liz deixa-o e faz com que este, num rasgo de aversão, decida de uma vez por todas organizar a sua vida. Destemido, Shaun resolve confrontar a mediocridade da sua vida e reconquistar Liz, bem como enfrentar as responsabilidades da idade adulta, custe o que custar. E é essa determinação que faz com que um “surto” de zombies não passe de um simples obstáculo na mente de Shaun, nada que não se resolva com um bastão de criquete.

Apadrinhado por George Romero, um dos “pais” dos zombies no cinema, “Shaun of the Dead” é uma epopeia épica em tons de paródia e sátira, de um anti-herói que enfrenta carradas de zombies, num humor muito “british” que recicla clichés de forma inovadora (ou nem por isso, como explicarei mais à frente). Da autoria de Simon Pegg e Edward Wright, dois dos nomes mais badalados do recente movimento impetuoso de humor britânico, o filme só acaba por surpreender os mais desatentos e todos aqueles que, nos últimos anos, por uma razão ou por outra não tem acompanhado tudo o que de bom tem emergido da Britcom. Para os admiradores do género, como eu, as altas expectativas e o conhecimento de algumas das escapatórias comuns, acabam por atraiçoar a satisfação sobre o resultado final da obra.

Mesmo assim, “Zombies Party – Uma Noite... de Morte” – que diga-se de passagem, é uma tradução absolutamente desastrosa e assustadora do título original, até porque, não há festa nenhuma no filme, e a acção decorre durante todo o dia e não apenas de noite – acaba por ser refrescante, apesar do seu enredo algo previsível, mas nunca aborrecido. E num filme despreocupado como este, é de louvar a direcção artística e técnica de caracterização, que recria o ambiente de estilo, de forma competente e até, talentosa. E agora, resta esperar por “Hot Fuzz” que, por nova incompetência de algum ou alguns executivos nacionais, não irá passar pelas nossas salas de cinema. Depois queixem-se da pirataria e façam choradinhos.

9 comentários:

Anónimo disse...

Gostei da tua critica, parabens. ainda não tinha conhecimento desse novo filme "hot fuzz" vou procurar a ver o que encontro.

Quanto ao Shaun of the dead, bem gostei muito do conceito do filme e a sua ideia, como tu dizes e bem é um filme despreocupado :)

abraço

Filipe Rosa (GrimReaper)

Anónimo disse...

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Schwarz disse...

Gostei muito do filme. O pior mesmo é o título que lhe deram em português.

Carlos M. Reis disse...

Filipe, o Hot Fuzz só mesmo mandando vir da Amazon ou outra loja do género. Primeiro que chegue a Portugal, vai ser uma eternidade. Ou então por outros meios menos... oficiais :) Um abraço.

Zarolho, sem dúvida alguma. Traduzir um título inglês para outro de língua inglesa é absolutamente fenomenal. Um abraço.

brain-mixer disse...

Chama-me de pirata à vontade, vi-o em divx ainda há dois dias!! :P LOL

Comparado com este hilariante Shaun of the dead, fica-lhe muito atrás... Não tem aqueles pequenos momentos inteligentes que nos brindava com os zombies. Não é que seja aborrecido, mas por momentos soa a um episódio policial dos anos 80. Valha-nos a montagem frenética do filme ;)

Anónimo disse...

Não posso concordar totalmente contigo Knoxville! Embora os escapes do filme sejam já do conhecimento geral de quem vê séries da britcom, a diferença está em colocá-los à disposição de todos... se é que me faço entender lol. Não é fácil criar um filme de mais de 1h30 com este tipo de humor e fazer que mesmo assim seja apetecível para todos os géneros de público.

E ainda a parte em que é assumidamente satírico, não descendo ao nível de filmes do tipo "scary" e criando um argumento e realização que prevalecem para além do humor.

De qualquer forma, percebo o teu ponto de vista.

Um abraço!

Carlos M. Reis disse...

Edgar, que te atire a primeira pedra quem nunca o fez ;) Não me digas isso do Hot Fuzz, que as expectativas ainda são superiores às que tinha para este Shaun of the Dead. Um abraço!

Simão, eu li a tua crítica antes de escrever a minha, logo sabia que não ias concordar lá muito comigo ;P E concordo com tudo o que dizes, mas mesmo assim, isso tudo não me leva a achar que o filme mereça mais do que as três estrelinhas, apesar de ser refrescante. Um grande abraço!

Anónimo disse...

Oh Knoxville, não brinques com a tropa. Então só 3 estrelinhas?? Isto é um clássico autêntico!

E o Hot Fuzz está quase a chegar... Por cá, como de costume, não vai estrear, vai directamente para DVD, sem passar pela casa partida. E deve receber outro título fantástico, do género: Super Cops - Polícia Destemida Em Acção.

Carlos M. Reis disse...

Atira sugestões e depois admira-te que alguém as leu e aproveitou-se delas ;P Um abraço dermot!

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