quinta-feira, março 31, 2005

Robots



Num mundo de robots, Rodney (McGregor) é um jovem inventor que adora ajudar tudo e todos. O seu sonho é conhecer Big Weld (Brooks), o melhor inventor de sempre. Só que, quando consegue ter a sua oportunidade, descobre que Big Weld desapareceu, e foi substituído por Ratchet (Kinnear), um malévico líder que, à semelhança de Hitler, quer impor “uma raça” de robots superiores.

Visualmente bonito e algo trabalhoso certamente, Robots mesmo assim, não traz nada de inovador ao género, tanto no estilo como no argumento. Tal como tem acontecido com outros filmes para crianças, este filme contêm algumas piadas para "maiores" de 13 anos e extende-se a toda a familia. O ideal que o filme quer transmitir, apesar de não ser original, é sempre bonito de ser repetido: "Persegue os teus sonhos!".

As cenas musicais/cómicas estão muito bem conseguidas e divertem tanto os mais novos como os mais velhos. A era dos velhinhos desenhos animados está definitivamente a chegar ao fim. Um bom Boy-Meets-World para toda a família ver num cinema perto de casa, num sábado à noite.

.: 7/10 :.

segunda-feira, março 21, 2005

Mar Adentro



"Mar Adentro", é um filme biográfico espanhol que nos conta a história de Ramon Sampedro, um galego tetraplégico, que lutou durante quase 30 anos pelo direito à eutanásia. A sua luta contra a constituição espanhola, os seus amores e fantasias, transformaram este filme numa boa surpresa.

A cinematografia de Alejandro Amenábar é delirante, confirmando-se este como um dos melhores realizadores europeus da actualidade. Se juntarmos a isto, um Javier Bardem, que faz todo o filme girar à sua volta, provocando um magnetismo intenso entre a camerâ e a sua cara, única parte móvel da sua personagem, temos assim confirmado, um bom drama logo à partida.

É raro um filme sobre um tema tão polémico como a eutanásia revelar-se tão consensual. Pode ser que agora muitos percebam que a vida é um direito e não uma obrigação. Porque "La vida sin libertad no es vida" e a morte pode ser uma forma de liberdade.

E não resisto a colocar aqui, um excerto da critica feita pelo Mulholland Drive Blog ao filme, o qual diz tudo:

"Bebendo a essência da dor de Ramón Sampedro, somos assombrados pela ideia de morte que tentamos todos os dias esquecer e ignorar, mas que acaba sempre por vencer. O medo é demasiado grande… mas medo era algo que Ramón não tinha. E tal como nós temos o direito de manter ou não a nossa vida, também ele e muitos outros na sua condição o deveriam ter. Mas nós, enquanto sociedade, deixamos que os nossos próprios medos influenciem a liberdade dos outros e prolongamos vidas apenas para nos escondermos por detrás delas."

.: 8/10 :.

segunda-feira, março 14, 2005

Oldboy



Comecemos pela história que começa algures na Coreia do Sul, em 1988, com um senhor chamado Oh Dae-Su (Min-sik Choi). Este espera impacientemente numa sala de uma esquadra de polícia por ter causado disturbios e estar embriagado. Volta e meia e um amigo vem buscá-lo para o levar para casa. Pelo caminho param os dois numa cabine telefónica. Ora enquanto o seu amigo fala com a esposa deste, ele é raptado, não sabemos por quem nem porquê. A única coisa que sabemos é que Oh Dae-Su aparece fechado num quarto-prisão, com várias comodidades (TV, Cadernos, Casa de Banho etc.) e que nele vai permanecer durante 15 anos!

Como podem imaginar, já por si, só isto deixaria uma pessoa algo afectada na massa cinzenta mas lembrem-se que tal como o espectador não sabe, o quem, e o porquê, também Oh Dae-Su não o sabe. Passados os 15 anos é libertado e começa a redescobrir um mundo perdido e a tentar encontrar respostas para todas as suas perguntas.

E é assim que esta fantástica história se vai desenrolando, deixando-nos sempre em suspenso até ao último momento. A sua conclusão é praticamente indescobrível, apesar de totalmente lógica e real.

A interpretação de Min-sik Choi é fantástica, repito FANTÁSTICA, ainda para mais sabendo que foi ele que fez todas as cenas e não houve duplos. Aliás, todas as interpretações são de alto nível. É um filme capaz de nos oferecer momentos dramáticos intensos num minuto para de seguida nos deixar rir suavemente. E até há espaço para alguma violência física. Forte e Crua.

Concluíndo, Oldboy é uma jornada biblíca sobre "vingança", com um argumento impecável e original, actores do melhor que há, realização adequada e maravilhosa, conjungada com uma fotografia também ela deliciosa.

.: 10/10 :.

sexta-feira, março 11, 2005

Underground (1995)

Embora convenientemente acomodado pelo multifacetado Emir Kusturica - que aqui realiza e assina o guião - para consumo internacional, esta alegoria satírica de quase três horas sobre o processo de transformação da antiga Jugoslávia desde a Segunda Guerra Mundial até a um presente recente pós-comunista, continua a ser um produto tão excessivo quanto delicioso. O enredo absurdo - e fique claro que não uso o termo num sentido depreciativo - de "Era Uma Vez um País" envolve um par de traficantes de armas e contrabandistas de ouro nazi - entretanto transformados em heróis comunistas -, um casamento com uma actriz em ascensão e uma cave completamente afastada da realidade, misturados numa trama tão flexível quanto teatral. Adaptado livremente de uma peça do co-autor Dusan Kovacevic, "Underground" continua hoje a ser o mais sarcástico e surreal filme em competição a ganhar uma Palma de Ouro em Cannes. Ao bom estilo provocador de Kusturica, "Bila jednom jedna zemlja" - título original da obra - facilmente tornou-se o exemplo máximo da controvérsia que acompanha a vida do bósnio muçulmano de nascença, pela sua clara postura pós-Sérvia, mesmo em tempos onde tal atitude era extremamente perigosa. Independentemente da nossa opinião sobre a sua visão facciosa da História, este continua a ser o melhor filme do talentoso cineasta até à data, um glorioso exemplo de "mise en scène" aliado a uma visão única e hilariante que está constantemente a exceder a sua própria hipérbole, mostrando a facilidade com que se criam e desfazem-se heróis através de um humor tão negro quanto inteligente.